Antro Particular

01 fevereiro 2011

Cultura Brasileira, uma quase ficção 1

capítulo 01.
19 de maio de 2009.
Sarney, descansando em seu eterno trono no Senado recebe uma visitinha especial.
Ele: Oi presidente.
Sarney: Sente-se, em que podemos nos ajudar?
Ele: Queria pedir ajuda a vossa excelência para o novo formato criado para a Lei Rouanet.
Sarney: E por que não? Mas sente-se, Juca, vamos conversar um pouco mais...

capítulo 02.
26 de outubro de 2009.
Alguém: Sr. Sarney acho melhor mudarmos de assunto.
Sarney: Então fecha essa merda de fundação.
Alguém: Tudo bem para o senhor?
Sarney: Paciência. Mas avisa a minha filha que ela vai ter que ser governadora outra vez.

capítulo 03.
em algum palácio maranhense.
Roseana: Pai, você está louco?
Sarney: Confie em mim.
Roseana: Depois de toda confusão que nós criamos dando meu nome pra uma rua, dos nossos aliados pra prédios públicos, e ter feito propaganda antes do permitido, acho impossível.
Sarney: Calma, menina. Você não aprendeu nada com o papai?

capítulo 04.
em algum palácio maranhense.
Sarney: Tudo resolvido, filha.
Roseana: Como?
Sarney: Veja, telefone pra você.
Roseana: Mas papai...
Sarney: Seja educada com o nosso amigo, sim.
Roseana: Alô? Oi Lula, que bom ouvir a sua voz.


capítulo 05.
22 de setembro de 2010.
Lula: Estou aqui com a nossa querida governadora Roseana Sarney, e, se Deus quiser, nossa futura governadora...
horas depois.
Roseana: Você vem inaugurar a refinaria?
Lula: É importante ser popular. Pode contar comigo. E já separa uma branquinha pra comemorarmos.

capítulo 06.
30 de novembro de 2010.
Hidrélica de Estreito.
Roseana: Sr. Presidente faço questão que o senhor aperte o botão. Ela só existe por sua causa.
Lula: Você é a governadora, tudo bem que seja você.
Roseana: E eu só estou aqui por sua causa.
Lula: Apertaremos juntos, então.
Roseana: No 3?
Lula: Sim.
Roseana: 1... 2... Mas...
Lula: Desculpa, foi irresistível.


capítulo 07.
Roseana: Tio Lula, preciso te pedir um favor.
Lula: Fala, minha menina.
Roseana: Tem um repórter do Estadão que tem birra com o papai.
Lula: Deixa comigo.
Roseana: Isso não vai te trazer problemas com a imprensa?
Lula: Com o povo do meu lado, a imprensa que se foda.
Roseana: Te amo, titio. Papai vai ficar muito orgulhoso disso.
Lula: É, eu sei. É o que mais preciso agora...


capítulo 08.
Repórter : Você está no Maranhão pra agradecer ao Sarney?
Lula: Se você quer protestar, vai pro Amapá, ele foi eleito lá. E vai pra SP, reclamar do Tiririca. O Sarney colaborou pra institucionalidade. Ele não é meu presidente. É o seu presidente do Senado, do Senado deste País.
Assessor: Telefone para o senhor.
Lula: É importante?
Assessor: É o Tiririca. Ele está chorando.


capítulo 09.
Lula: Porra, Sarney? Eu já arranjei emprego pra tua filha, precisava exagerar?
Sarney: É que a família é grande.
Lula: Dá um jeito, manda os parentes saírem do Senado o mais rápido possível.
Sarney: Tá bom. Que saco. Ainda bem que a Dilma é mais chegada na minha turma.
Lula: Vai nessa.
Sarney: Duvida?

capítulo 10.
Lula: Benvindo ao Congresso, meu amigo.
Tiririca: Adorei o que o senhor disse pros jornalistas. Obrigado por ter me defendido.
Lula: Bobagem.
Tirirca: Acha que mesmo que sou a cara do brasileiro?
Lula: Tem melhor?
Tiririca: Só uma dúvida. O que é cretinice?

capítulo 11.
Deputado 1: Dá licença, deixa ele passar.
Deputado 2: Deixa o homem falar, caramba.
Tiririca: Obrigado a todos. Eu querida dizer que eu tive sorte. E que vou priorizar a educação. E eu queria mandar um beijo pro meu pai, pra minha mãe, pro Lula e pra você.
Dep.1: Você escreveu essa merda?
Dep.2: Ele não sabe ler, imbecil. Tá improvisando, artista é foda. Eu avisei.


capítulo 12.
Lula: Dilma, você já sabe quem vai colocar no Ministério da Cultura?
Dilma: To escolhendo ainda.
Lula: Já pensou no Tiririca?
Dilma: Nunca!
Lula: É que esse negócio de ser cantor, de ser popular. Isso foi bom pra nós.
Dilma: E se eu arranjar uma outra opção dentro desse universo?
Lula: Do circo?
Dilma: Não, da música.


capítulo 13.
na Esplanada.
Dilma: Companheiros e companheiras, com vocês, nossa nova Ministra da Cultura: Ana Buarque de Hollanda!
Ana: Obrigada, presidenta.
Dilma: Você trouxe um cd autografado pra mim?
Ana: Claro. Aqui está toda minha discografia.
Dilma: Sei. É, tudo bem. Mas e do seu irmão, trouxe algum por acaso?


capítulo 14.
Ana: Chiquinho, eles só gostam de você. Ninguém quer fazer nada comigo.
Chico: Calma, Ana. As coisas são assim mesmo no início. Leva tempo.
Ana: Mas o que é que faço, poxa?
Chico: Precisa chamar atenção da mídia, até todo mundo te conhecer de verdade.
Ana: Tem alguma sugestão?
Chico: Não. Só um pedido.
Ana: Peça.
Chico: Não liga mais a cobrar.


capítulo 15.
19 de janeiro de 2011.
alguém: Ana, se você falar isso, vai dar merda. Vai criar um certo pânico. Não faça isso.
Ana: Eu preciso.
alguém: Mas precisa ser tão cedo? Você acabou de assumir.
Ana: Quero ver se as pessoas não vão se lembrar de mim depois disso.
alguém: Está na hora, então.
Ana: Olá a todos. Eu mandei restringir o uso do conteúdo do site do MinC...

capítulo 16.
sala do BNDES.
BNDES: A senhora pretende manter as coisas como estão, certo?
Ana: Claro, algumas.
BNDES: algumas?
Ana: A maioria.
BNDES: Que bom. Estávamos preocupados.
Ana: Sobre o quê?
BNDES: Sabe as festas oferecidas pelo antigo Min. Do Turismo?
Ana: Sei.
BNDES: Dá pra manter?
Ana: Vocês vão bancar o meu próximo disco?


capítulo 17.
em casa.
Ana: Chico, não adianta, eu não vou mais gravar suas músicas. Porque você não me deu sorte. Já falei com o Gil. Vou gravar com ele um cd de forró inédito. Já temos até nome: Arrasta pé em Brasília.


último capítulo.
Gil: Ana, liguei pra me desculpar.
Ana: Não me diga que não vamos mais gravar juntos.
Gil: Não dá.
Ana: Por que?
Gil: Foi o Lula.
Ana: Proibiu?
Gil: Mais ou menos. Ele quer gravar comigo esse disco.
Ana: Vai ficar horrível com aquela língua presa! Pensei que iria cantar nos próximos 4 anos.
Gil: Isso não é pra todo mundo. Vai trabalhar. É melhor assim.

epílogo imprevisto.
após horas de lágrimas derramadas, soluços e copos quebrados, uma decisão surge de forma cruel e definitiva.
Ana: quer saber, senhor Gil, fodam-se as suas mudanças na Lei Rouanet. FODAM-SE.


Fim.

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