Antro Particular

22 setembro 2006

DE FRENTE PRA URNA: e o espelhamento da nossa cara ridícula

Pouco mais de uma semana para decidirmos em quem votaremos. Invejo os que já definiram seus candidatos. Confesso ainda estar muito confuso. Pior, completamente perdido. O que antes parecia ser uma disputa entre dois partidos surpreende com uma fragmentação maior. Segundo as pesquisas, o quadro que se prepara para os governos estaduais é de 9 PMDB, 6 PSDB, 5 PFL, 3 PT, e 1 para PDT, PPS, PSB e PTB, além é claro da presidência petista.

A incoerência capaz de eleger um presidente em primeiro turno, enquanto os candidatos ao governo estadual pelo mesmo partido são retirados de cena, deve-se ao fato desolador do eleitor brasileiro ainda não perceber a importância de estudar os Programas de Governo e as propostas partidárias. Vota-se, ainda, na figura salvadora, no mítico ser realizador de todas as transformações necessárias para nossa melhoria. Tolo equívoco. Ingenuidade plena. E ao que parece, as notícias do último ano não foram suficientes para conscientizar à importância de coerência histórica e discursiva dos candidatos, não importando aí a qual partido ele pertença.

No desastre que se aproxima, visto que tal postura do eleitor fará com que tudo permaneça como está a algumas décadas, outros fatores se desenham: o re-fortalecimento dos PMDB/ PSDB e a ruína absoluta do PT.

Enquanto a Direita se aproxima novamente do poder com discursos maniqueístas e conservadores alicerçados por uma arrogância histórica de quem sabe se fazer popular e oposição; a Esquerda desfalece sobre falta de capacidade em se auto-administrar.

O PT está em coma. A ação de afastar publicamente figuras históricas do partido como Zé Dirceu, Delúbio, Palocci, Genuíno, Berzoini, Gushiken, João Cunha, Silvio Pereira, ficará para sempre na nossa memória, tão traumáticos foram os escândalos. Derrotas como a de Marta Suplicy para reeleição da prefeitura de SP, Mercadante ao governo de SP, o baixo índice de aprovação dos candidatos ao governo por todos os Estados (11%), a disputa com militantes e apoiadores clássicos, a incessante discordância entre partidários, as expulsões... Não há mais Partido dos Trabalhadores. Resta Lula, cuidadosamente protegido para não ser envolvido em todos os escândalos por ser hoje a única possibilidade do PT se manter vivo...

Já a “nova esquerda”, liderada no discurso vazio e despreparado de Heloísa Helena, tropeça em suas precipitações e já se demonstra frágil demais para ser adulta em pouco tempo. Há que se esperar muito ainda para poder ser levada a serio. Por hora, certo tom cômico de desespero quando inquerida sobre qualquer assunto.

De modo geral, e tendo em vista que os programas de governo são descaradamente literaturas ficcionais, antevejo a eleição como meio para uma escolha ímpar na democracia brasileira. Não mais entre partidos ou personagens. Qualquer que seja a ideologia política, agora tanto faz. Devemos escolher entre profissionais e amadores. E infelizmente não os diferencio por valores mas por defeitos.

De um lado o PT, cuja incapacidade e por não saber lidar com o “jogo político” tornam-no dia-a-dia manchetes de noticiários, expondo-se em estratégias e situações que a muito existem, mas que “nunca aconteceram” efetivamente. O PT sofre as conseqüências de sua ingenuidade em querer ser igual aos dinossauros. E na tentativa de dominar esquemas corruptos de controle político e financiamento ilícito para o fortalecimento partidário, cai ao ridículo sendo exposto por aqueles quais pretendia superar.

Do outro lado, PSDB, PMDB e PFL, cuja capacidade em manipular a estrutura política e os meandros da corrupção, quais são em grande parte inventores, os conservam frente à opinião pública e o sistema democrático como bons moços indignados.

Em resumo, o voto em 2006 deve relevar a seguinte escolha: os que não sabem como fazer ou os que sabem. E aí está minha crise toda. Escolher PSDB, Alckmin, é ter a certeza que os anos FHC voltarão, e com eles todas as questões quais me levaram a votar no Lula nas eleições passadas. Escolher PT, Lula, é ter a certeza de que, ao não saberem fazer politicagem, sempre teremos de alguma maneira mais possibilidades de acompanharmos os acontecimentos por trás das decisões; e, contudo, é também dar aos políticos em exercício nova oportunidade sendo condescendente ao que diariamente vem à tona.

Enfim, tenho pouco mais de uma semana para decidir se prefiro aos que me farão facilmente de idiota, profissionalmente, ou já visto a carapuça de idiota e finjo perdoar a todos e a tudo!

Sinceramente não sei mais nada...

E você qual idiota prefere ser?

6 Comments:

  • Ruy,

    Faça com oeu:

    Não Reeleja ninguém!!!

    beijos.
    amadeo

    By Anonymous Anônimo, at 4:38 PM  

  • Minha opção: não ser idiota... tem como?

    By Anonymous Anônimo, at 6:59 PM  

  • Anônimo não... com mais barriga ou menos barriga, MEU NOME É RICARDO!
    (pelo menos minha identidade eu não perdi... mesmo que ela seja idiota também... hehehe).

    By Anonymous Ri Porto, at 7:00 PM  

  • Continuaremos idiotas...com este ou aquele. Isso é que dói muito. Infelizmente nosso País não tem jeito mesmo.
    Parabéns Ruy, você espelhou de maneira inequívoca a realidade de todos nós.
    Eduardo

    By Anonymous Anônimo, at 8:07 PM  

  • Talvez o Amadeu esteja certo.
    Linkei seu antro no 'de rasuras' para ficar mais fácil o acesso.

    bjs

    By Anonymous Ana Peluso, at 12:35 AM  

  • Perdão, é Amadeo, com O.
    Sorry, Lamonier...

    bjs

    By Anonymous Ana Peluso, at 12:36 AM  

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