Antro Particular

04 abril 2011

Cultura Brasileira, uma quase ficção 6

capítulo 1.
Reunidos no Instituto Fernando Henrique Cardoso, oposicionistas debatem como reagir.
FHC: E se montássemos uma escola de samba? Poderíamos desfilar e apresentar as corrupções deles.
Serra: Temos muito a dever pro Lula, eu não sei.
Alckimin: Tem certeza?
Aécio: Já terminei a proposta pro carnavalesco.
FHC: E?
Aécio: Brasil, salvai seu futuro, suas matas, seus tucanos.

capítulo 2.
Enquanto isso, no Palácio da Alvorada, em Brasília.
Por telefone.
Alguém: Tem certeza? Vou falar com todos. Obrigado.
Dilma: Quem era?
Alguém: Eles vão preparar um desfile sobre nós. Vão contar tudo.
Temer: Faremos um também.
Dilma: Qual?
Temer: Brasil, nunca antes na história do país.
Palocci: Não. Brasileiro, o povo e caseiro da terra Brasil.

capítulo 3.
A oposição se decide.
FHC: Quem vamos chamar pra carnavalesco?
Aécio: Lúcia Veríssimo, claro!
FHC: Ela entende alguma coisa disso?
Aécio: É estilista, uai.
Serra: Moda country.
Alckmin: Melhor ainda. Fechamos com a bancada ruralista.
Serra: Precisamos de alguém mais ousado junto.
FHC: Zé Maurício Mchline sempre me emprestou a casa. Não vai faltar agora.

capítulo 4.
O Governo também se decide.
Temer: Não tem outro nome? Eles chamaram o Machline, o cara tem contato.
Dilma: Não teu jeito. Estamos devendo essa pro Zé de Abreu. O PT é assim, vai se acostumando.
Temer: Alguém junto, então?
Palocci: Débora Colker?
Dilma: Será?
Palocci: Patrocinada desde 2000 pela Petrobrás. Tá na hora de devolver um pouco disso tudo.

capítulo 5.
Em Brasilia, muita correria.
Duda Mendonça: Já tenho uma resposta, mas vou precisar de ajuda com alguém experiente em finanças, e de minha confiança.
Temer: Quem?
Duda Mendonça: Marcos Valério.
Palocci: Nem pensar.
Duda: Vocês ainda devem grana pra nós. Ele se junta, e damos um jeito de fazer o desfile e pegar o que é nosso também.
Dilma: Tudo bem eu desfilar com esse vestidinho?

capítulo 6.
Em São Paulo, também correria.
Aécio: Ele tá com tudo. Acabou de ganhar o carnaval.
Serra: Vem de outra turma, não sei.
Alckmin: Tô com ele no telefone.
Minutos depois...
FHC: Então, maestro, topa cuidar das coisas?
João Carlos Martins: É fácil. Pra quem cuidou do caixa de campanha do Maluf, qualquer coisa é simples. Posso convidar o Pitta? Sou amigo da família.

capítulo 7.
Ao vivo...
Chico Pinheiro: Estamos aqui na Cidade do Samba, onde o PT e o PSDB preparam seus desfiles. Só que ninguém foi visto até agora, em nenhum dos barracões. Ao que parece, os partidários foram liberados dos trabalhos pesados e estão por aí convidando as pessoas a votarem em seus partidos. Tentaremos outro dia, então. É com você Fátima.

capítulo 8.
Ao vivo...
Chico Pinheiro: Estivemos aqui há dez dias e, menos de uma semana do desfile, os dois lados continuam abandonados, William.
WB: Chico, continuaremos tentando e muito obrigado. Fátima, por falar nisso, você sabe de qual partido é essa bandeira que está no nosso cenário?
Distraída, responde:
Fátima: Do Líbano...

capítulo 9.
Ao vivo, Jornal da Globo.
WW: Heraldo, como foi recebida em Brasília a notícia de que os partidos farão os desfiles simultaneamente? Deve ter causado muita confusão.
HP: O que se fala pelos corredores é que isso só pode trazer vantagens. Dos dois lados, o clima é de vitória, William. Vamos ver se de alguma maneira o povo ganha alguma coisa com qualquer um deles.

capítulo 10.
Arnaldo Jabor: O carnaval é o momento de consolidação da malandragem. Alí, bicheiros e narcotraficantes lavaram seus dinheiros. A canalhada política invade a festa. Só que, o que eles não sabem, é que pro morro o povo é intocável. Lado a lado, PT e PSDB vão se revelar iguais. Enquanto isso, Brasília gasta seus confetes, e o povo toca bumbo.

capítulo 11.
Dia do desfile.
Lado a lado, PT e PSDB formam as alas e organizam as entradas dos carros alegóricos.
Petistas: Vocês vão ver, nós vamos relevar todos os seus podres!
Psdbistas: Nós é que vamos mostrar os de vcs!
Fogos.
As comissões de frente fazem a curva pra entrar no sambódromo.
O público se surpreende...

capítulo 12.
Comissão de frente do PT: Lula, amarrado em um cadeira, tem um dedo amputado por Sarney. Ao fundo, uma faixa: Fomos obrigados por ele!
Comissão de frente do PSDB: Um tucano tem o bico amarrado, enquanto Sarney arranca-lhe as penas. Ao fundo, uma faixa: Eles nos obrigaram a nos calarmos.
O público vaia.
A bateria começa.
O povo esquece e volta a ficar feliz.

capítulo 13.
Os dois carros abre-alas.
PT: Pedaços da Vale, da Petrobrás, de telefones, das estradas, enquanto os foliões fazem aviões com dinheiro e os lançam de um imenso letreiro ‘saída de $ do BR por aqui’.
PSDB: Outros tantos pedaços da Petrobrás, de aeroportos, enquanto os foliões, sempre barbudos, enchem as cuecas com dinheiro, com o leitreiro ‘Eu não sei de nada’.

capítulo 14.
O apagão cancela o desfile.
1. Agora é bom pra definirmos.
2. Comissão de Reforma Política?
3. Valdemar Costa Neto.
2: Mensalão?
1. Sim. O meu, Eduardo Azeredo.
3. Mensalão de Minas...
1. Isso. E você?
2. Maluf.
1. Ok, então. Fechamos esses nomes pra Reforma Política. O Brasil não quer tanto? Então, vai aprender a parar de pedir as coisas.

capítulo 15.
De volta a Brasília.
Dilma: Nada como a época do carnaval. Ninguém desconfiou.
Temer: Temos que agradecer aos tucanos também. Aceitas montar a comissão nessa época foi uma jogada e tanto. Agora é só ficar acusando todo mundo e essa reforma não sai nunca mais. Tem alguém pra isso?
Dilma pra empregada.
Dilma: Meu convidado já chegou?
Empregada: Sim.
Dilma: Deixe entrar.

capítulo 16.
Dilma: Você foi ótimo com a Hebe. Agora, cuidado, as pessoas estão de olho em você.
Dirceu: Já trouxe alguém. Ele vai cuidar de tudo.
Dilma: Você tá falando do Wanderley?
Dirceu: Ele confundiu todo mundo com aquela história do mensalão ser um golpe da mídia no Lula. Agora, na Casa Rui Barbosa, vai estar mais próximo, cuidando de nós.
Dilma ri.
Dilma: Você é casado?

capítulo 17.
No programa de Ana Maria Braga.
Ana: E o que vai cozinhar?
Dilma: Fritada de Lula.
Ana: E o que vamos precisar pra isso?
Dilma: 9 dedos de leite...
Após o programa.
Dirceu: Você estava ótima.
Dilma: Falou com o Chaves?
Dirceu: Se tudo der certo, mandamos o Lula pra Líbia. Aí seremos só nós.
Dilma: E Palocci.
Dirceu: É, tem esse aí ainda pra resolver...

capítulo final.
Chaves: Amigo, acho que você é o único que consegue dar um jeito em Kadkafi.
Lula: Logo agora que vou começar minha carreira de palestrante?
Meses depois...
WB: O presidente Lula desapareceu na Líbia. A presidente Dilma proclamou feriado nacional. Pra amanhã, será preparada uma grande homenagem. Ainda não se sabe se ele está morto. Na dúvida, Dilma prefere manter as homenagens.

epílogo imprevisto.
A porta do quarto de Dilma é arrombada.
Lula: Não adianta, você não vai se livrar de mim. Conheço Kachafi desde que era sindicalista. Acha que ele iria me trair? Com Chaves? Esse aí fui eu quem ajudou a dar certo. Eu voltarei, Dilma. E você ainda vai pedir perdão em público.
Antes de sair...
Lula: E para de desfazer as coisas que fiz, porra!


... Fim.

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