Antro Particular

04 abril 2011

Cultura Brasileira, uma quase ficção 7


capítulo 1.
Ana de Holanda chora compulsivamente enquanto é amparada por Márcia Regina Barbosa e Hildebrando Pontes nas dependências do ECAD.
Márcia: Não fica assim, Aninha.
Ana: A Dilma me garantiu que eu iria cantar pro Obama na Cinelândia. Não é justo.
Hildebrando: Mas os direitos musicais eram caros pra nós.
Ana: E desde quando o Ecad repassa tudo direitinho pros artistas?

capítulo 2.
Em Brasília.
Dilma: Ana, temos um probleminha.
Ana: O que eu fiz?
Dilma: Você tem facebook?
Ana: Não.
Dilma: Vem aqui. Vou te mostrar pelo meu...
Elas leem.
Ana: Quem é esse cara?
Dilma: Nunca ouvi falar.
Ana: Isso não é justo...
Assessor: Presidente, telefone.
Dilma: Quem é?
Alguém: Você tá com a Ana aí?
Dilma: Sim. Mas quem é?
Alguém: Oi. Meu nome é Ruy Filho.

capítulo 3.
Por telefone.
Ruy Filho: Liguei pra te fazer um convite.
Ana: Você que se foda.
Ruy Filho: Mesmo se for pra cantar?
Ana: Minha agenda, espera aí.
Minutos depois...
Ruy Filho: ... e será o meu aniversário.
Ana: Estou livre sim.
Ruy Filho: Nada de Gil ou Chico, ok? Você compõe?
Ana: Sempre te admirei, sabia? Posso levar uns vídeos de poesia também?
Ruy Filho: A casa é toda sua.

capítulo 4.
Festa rolando.
Ruy Filho: Entre. Tem medo de cachorro?
Ana tem pavor, mas disfarça. O beagle gruda em sua perna.
Ana: Meu presente pros artistas que vocês são. Poesia.
Ruy Filho: Vocês conhecem a Ana?
Ninguém responde ou lhe dá qualquer atenção.
Ana: Posso ligar?
Ruy Filho: Quantos são?
Ana: 365. Maria Bethanea. Saiu caro, mas valeu a pena.

capítulo 5.
A sala se esvazia.
Ruy Filho: Vamos direto pro show?
Ana: Claro! É só pegar o meu violão e...
Diego: Posso emprestar  meu se você...
Ana: Não! Só toco com ele!
Diego: Se eu conhecer a música, te acompanho.
Ana: Você não entende? Fui roubada! Alguém aqui...
Ruy Filho: Aqui? Desculpa, Ana, aqui não é o MinC.
Patrícia: Gente, liga  tevê!
Um silêncio toma conta da sala.

capítulo 6.
Todos seguram o riso, enquanto observam Ana chacoalhar a tevê.
Ana: Dilma, não acredito que você me roubou!
Patrícia: Frame, sai da perna dela!
Ruy Filho: Aquela é a...?
Guilherme: é.
Ruy Filho: A Dilma está louca?
Na tevê...
Dilma: Autografa pra mim.
Shakira: Com prazer.
De volta a festa...
Ana: Essa vaca riscou o meu violão, porra!

capítulo 7.
A festa termina.
Ana: Posso cantar?
Ruy Filho: Desculpa, Ana. Amanhã é segunda, e a Patrícia acorda muito cedo.
Guilherme: Vamos pros Parlapatões.
Ana: Pode cantar lá?
Guilherme: A gente dá um jeito.
Minutos depois...
Ana cantando bêbada. Não se entende nada.
Por telefone.
Ruy Filho: O que aconteceu?
Guilherme: Brigou com um fiscal do Ecad. Disse que não pagava e foi presa.

capítulo 8.
Ruy Filho: Porra, só dá ocupado em Brasília. Como vamos tira-la da delegacia?
Patrícia: Você tem o contato do Chico?
Ruy Filho: Não.
Patrícia: Continua ligando. Não tem o que fazer.
Ruy Filho: E o beagle?
Patrícia: Tá na sacada.
Os dois se aproximam sem que o cão perceba.
O cachorro está uivando deitado sobre um lenço que roubou de Ana. Dá pra perceber seus olhos marejados.

capítulo 9.
Enquanto isso, em Brasília...
Dilma: Disse que tentaríamos, não que daria certo.
Kadhafi: Vocês foram leais em me proteger.
Dilma: Questão de coerência. Ignoramos por quarenta anos tua ditadura, continuaremos assim.
Kadhafi: Se o mundo fosse tão verdadeiro como o Brasil...
Dilma: E ademais, se apoiamos o Armadinejad, por que seria diferente com você?

capítulo 10.
No dia seguinte...
Assessor: Presidente, o Obama quer saber se o discurso já está pronto.
Sarney: Estou quase terminando. É só encontrar o tom certo de como ele falará com o povo. Me dê mais cinco minutos e ligo pra ele de volta.
Quando o assessor sai, Sarney tira o celular da gaveta e diz:
Sarney: Então, Lula, depois do Corinthians, ele tem que falar sobre o que mesmo?

capítulo 11.
Obama chega ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Carla Camurati: Que merda, Obama, tive que desmontar tudo pra você vir falar qualquer coisa?
Obama: Eu queria no centro, mas tinham os bandidos. Propus num morro com UPP, mas já estão tomados por corruptos. O único lugar que sobrou foi aqui, já que os artistas são bem mais passivos mesmo.
Agente americano: Sr.? Chegou a hora.

capítulo 12.
Obama: ... e acredito que devemos contribuir pra que nossas democracias fortaleçam o capitalismo e as relações econômicas de nosso países, gerando crescimento e emprego. Obrigado a todos.
Horas depois...
Obama: Traz um café pra mim?
Agente: Não tem mais.
Obama: Como?
Agente: Parece que um tal de Ruy Filho bebeu todo o café do país.
Obama: Ache esse desgraçado, agora!

capítulo 13.
˜Lamentamos informar que esse episódio foi violentamente censurado. Os americanos se recusaram permitir a participação de seu presidente em qualquer atividade que esteja ligada ao número 13. A narrativa continua a partir da 14a. parte.˜

capítulo 14.
Obama: Cadê meu café?
Ruy Filho: Não posso. Não consigo ficar sem. E o café é brasileiro, porra!
Obama: Você quer estragar tudo?
Ruy Filho: Não tenho medo de você.
Obama: Não? Veremos...
Encapuzado, Ruy é jogado dentro de um avião.
Horas depois...
Capitão Nascimento: Bem vindo a Guantánamo.
Do seu lado, outro homem também é torturado.
Ruy Filho: Jack Bauer? Jack é você?

capítulo 15.
Jack Bauer: Nem eu consigo sair daqui.
Ruy Filho: Mas tem que ter um jeito, Jack.
Jack: Tem uma pessoa... Mas precisamos chegar até ela. Você vai ter que fazer o que eu mandar, está bem?
Ruy Filho: Sim.
A cela é invadida. Ruy é retirado à força e levado pra outra totalmente escura. Jack escuta uma voz na outra cela.
Jack: Ana de Hollanda! Não! Soltem ele. Isso nããããoooo!!!!!

capítulo 16.
Jack Bauer: Preciso tirar alguém.
Michael Scofield: Não.
Jack: É brasileiro. Você é um ídolo por lá. Ele vai morrer. Ela está cantando há 24 horas.
Tempos depois...
MS: Ruy? Michael.
Ruy Filho: Quem?
MS: Prison Break.
Ruy Filho: Me ajude...
MS: Jack, acho q não vai conseguir.
Jack arromba a porta e lhe dá um tiro no ombro.
Jack: Acorde ou o próximo vai ser na tua cabeça!

capítulo 17.
Por telefone.
Obama: Ele fugiu.
Dilma: Não posso te ajudar. Tenho outros problemas aqui.
Obama: Estamos ficando sem café!
Dilma: E eu prestes a não me reeleger.
Obama: Isso é sério?
Dilma: Querem votar o fim da reeleiçãoo.
Obama: Vai cuidar das coisas ai, então.
Dilma: E a Ana?
Obama: Já devolvi. Não é uma boa arma. Com elas as coisas vão é ficar iguais, isso sim.

capítulo final.
Em Brasília.
Dilma: Você acha que ele te reconheceu?
Ana: Não.
Dilma: Mas você não cantou durante horas?
Ana: E alguém já tinha me ouvido cantar?
Dilma: Tem razão.
Alguém: Ele está aqui.
Dilma: Oi.
Ana: Ele fez a ponte entre a Bethanea e o Governo.
Dilma: Como se chama?
Alguém: Lula Buarque de Hollanda.
Dilma: Ana, você é perfeita!
Ana: Até que enfim você notou isso.

epílogo imprevisto.
Ruy Filho em casa resolve escrever os acontecimentos pelo facebook. O beagle dome entre seus pés e a mesa do computador, enquanto digita. Ele desliga a tevê, bebe um copo de café, volta pro computador e...
Ruy Filho: Quer saber? Deixa estrear a próxima peça. Aí sim vão ter motivos pra me torturarem.

... Fim.

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