Antro Particular

07 dezembro 2005

BRASIL: de malas prontas na alfândega

Postado na hospedagem anterior do blog no sábado, 9 de julho de 2005
01:20:44


No ano passado, o Sesc Pompéia organizou uma exposição onde artistas plásticos eram convidados a elaborar uma obra tendo como objeto uma mala. Não me recordo quantas, nem todos os artistas. Mas definitivamente nenhuma se revelara tão importante na nossa rotina quanto as malas de Marcos Valério. Viajadas, bem acompanhadas, hospedadas em hotéis caros e freqüentando as residências mais influentes da política. Se as malas no Sesc não mudaram a concepção de arte, as de Valério se tornam limítrofe na historia política brasileira.

Quantos nomes caberão em uma mala? Quantas cédulas? Quantos acordos? É o que a CPI está destinada a descobrir. E chegando aos números exatos é só então multiplicar pela coleção de malas da estação e teremos o real tamanho da bagagem qual carregaremos por muitos anos.

Há ainda "os malas". Independe de partidos, de ideologias, estão sempre por perto, prontos a gritarem frente ao primeiro microfone abandonado. Os populares malas sem alça. Mas há os malas cheias, que atravancam as informações, despistam, sobrecarregam o funcionamento burocratizando o cotidiano, usufruindo de seu peso para com que nada saia do lugar.

Em qual mala está nosso presidente? Vai com pê minúsculo mesmo, pequeno, em caixa baixa. Por que não se declara culpado ou então chora ou tem um ataque histérico em nome da ética com a qual fez questão de sublinhar sua trajetória? Onde está a liderança votada pela maioria desse país? Claro, arrumando as malas. Malas mesmo, desta vez. Viagens, viagens, viagens...

E no país das malas e dos malas, outra surpresa!

Talvez por entusiasmo, companheirismo ou modismo simplesmente, José Adalberto Vieira, inclui ao rol da fama a "própria mala". Não o objeto, nem a presença ou discurso. A mala em questão é aquela nomeado pelos jovens, a que determina sua masculinidade, o volume de sua capacidade sexual! A de José Adalberto é digna de intimidar o mais capacitado dos varões, pois visto que dentro de sua cueca a polícia federal encontrou nada mais do que 100 mil dólares. Pobres coitados dos mortais, destinados a mediocridade de uma virilidade de 300 reais.

Não há mais sabor de descoberta, tudo é possível e a política brasileira rouba nossos sonhos e nossa criatividade. Os discursos traduzidos pelos jornais nos atingem como infinitos pacotes de malas-diretas que não pedimos para receber. Invadiram as conversas, as casas. Desta vez, as pessoas vão as lojas verificar se as informações são coerentes, verdadeiras, pois o que se lê é irreal, impensável, inacreditável.

Só resta a esperança que tudo não acabe em pizza. Pizza pra viagem de promoção. Que vem até nossa porta, toca a campainha, oferece-nos o que não pedimos e, ao abrirmos satisfeitos, voltando a janta para a geladeira, descobrimos um entregador que aponta uma arma, deixa a pizza do lado de fora esquecida, cala-nos com discursos que não se explicam, sorrindo maliciosos para os nossos filhos; e quando menos esperamos, dá-nos uma coronhada aproveitando nosso silêncio para levar todos os valores e futuro.

Às vezes me sinto um verdadeiro imbecil...

1 Comments:

  • "Em qual mala está nosso presidente? (...) Onde está a liderança votada pela maioria desse país? Claro, arrumando as malas."

    Pelo andar da carruagem, daqui a pouco ele vai ter que arrumar as malas para voltar para São Paulo em definitivo. A passividade dele em relação ao que está acontecendo com o seu partido, sacrificará uma suposta reeleição.

    Ótimo texto. Gosto quando escreve de política. O tom de revolta dos seus textos, refletem sem dúvida o coração de muitos de nós.

    Deixo meu abraço.

    enviado em 11/7/2005 12:54:00

    By Anonymous RICARDO PORTO - comentário recuperado da hospedagem anterior, at 1:15 AM  

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