Antro Particular

07 dezembro 2005

ZÉ CELSO MARTINEZ CORRÊA: MANIFESTO

Postado na hospedagem anterior do blog na sexta-feira, 1 de julho de 2005
17:59:56


Zé Celso me encaminhou este manifesto hoje de madrugada. Ainda que não compartilhe com a posição dele sobre Gilberto Gil, a importância sobre a construção do Teatro Estádio, junto ao Oficina, é fundamental para que a cultura brasileira entenda seus meandros frente ao sistema econômico.

Segue o manifesto, então.

Abraços,

RUY FILHO



MANIFESTO POR UM TEATRO DE ESTÁDIO JÁ

Para a realização do sonho possível do Teatro de Estádio a pergunta que transmito ao público brasileiro, à mídia, aos protagonistas atuais da história brasileira é de muita importância, por isso tentarei expor o conteúdo dela, da forma mais clara possível. É uma pergunta em relação à possibilidade de um ser humano exercer seu poder de ação num tempo certo. Decidi escrever este texto para esclarecer a situação, para a resposta ativa desta pergunta se tornar ATO. Quem topar assine e vamos para a ação.

O sonho de um Teatro de Estádio Total Multimídia foi reavivado por Oswald de Andrade em 1943 em seu Manifesto "Do Teatro que é bom" e tornado Manifesto Concreto Arquitetônico e Urbanístico no risco, maquete e estudos de Lina Bardi em 1980 para o entorno do Teatro Oficina que, em 1982, foi Tombado.

Depois de 25 anos de luta por sua realização, que dentre outras contou com a participação ativa da promotoria do meio ambiente, Sílvio Santos, pessoa física, proprietário do atual terreno do estacionamento do Grupo Silvio Santos visitando o Oficina compreendeu a grandeza do Projeto Ecológico de Lina para a cidade e passou ao Grupo Sílvio Santos a missão de torná-lo praticável. Foram contratados arquitetos que trabalharam com Lina para isso: Marcelo Suzuki e Marcelo Ferraz que apresentaram um projeto muito bonito. Mas o Grupo Financeiro Sílvio Santos, dando prioridade para a idéia do Shopping para esta área fez com que o projeto resultasse num abraço muito apertado em torno do teatro, aprisionando-o. Assim, o que seria um Teatro de Estádio transformou-se num teatro de 1000 lugares não relacionado diretamente com a cidade e, pior, desligado do corpo do atual Teatro Oficina, ao contrário do que Lina queria.

A isso somou-se um agravante: o Grupo Sílvio Santos não abdica da gestão do espaço. Segundo seu diretor Eduardo Velucci, somente o grupo, por ter dinheiro, poderá gerir o Espaço.

O projeto de Lina e do Oficina, sempre foi pensado como o de um lugar público, gerido por um Conselho de que a Associação Teatro Oficina Uzyna seria parte juntamente com representantes dos movimentos culturais teatrais brazyleiros e internacionais. Grupos de teatro como "os Parlapatões", "Tapa", "Satyros", "Teatro Poeira", "Latão", "Vertigem", "Companhia Promiscua", "Companhia dos Atores", "Cia. Livre" e muitos outros. Figuras notórias tais como Fernanda Montenegro, Raul Cortez, Dráuzio Varela, Eduardo Suplicy, seriam chamados a compor este conselho, assim como os movimentos culturais do Bairro do Bexiga como a fabulosa Vai Vai e até grupos internacionais de teatro afinados com o Teatro Total, tais como o Volksbhune de Berlim, Alemanha.

Como o Sambódromo, o Estádio de Teatro, um Teatódromo, tem a vocação de dedicar-se também à formação cultural. Quer abrigar uma Universidade Brazyleira de Cultura Antropofágica de Mestiçagem Multimídia e pretende realizar Festivais Nacionais e Internacionais de Teatro Total: "Olimpíadas Dionisíacas".

Seu objetivo maior é o fortalecimento do Teatro como Arte Popular de Misturação de todas as artes e técnicas, inaugurando um período para esta arte tão depreciada, elitizada, assassinada nos últimos tempos entre as quatro paredes de vitrines para a burguesia da terceira idade ver de longe, no palco, seus ídolos de TV.

O Teatro no mundo depois do poder imenso que voltou a ter nos anos 60 foi condenado a voltar ao palco italiano e a cortar seus laços com sua função social arcaica: tocar os Tabus sociais, transformá-los em Totens. Cantar, como o nome "Tragédia" diz em grego, os BODES SOCIAIS.

A atividade teatral em geral tem sido vítima de um certo tipo de racismo mesmo. As dificuldades vitais dos tempos atuais obriga o fazer teatral à uma atitude heróica. Passou a dominar os palcos um clone do teatro, um teatro descartável que tem contribuído ainda mais para o desprestígio desta arte.

O Teatro de Estádio vem como uma "discriminação positiva" contra este racismo e a favor de todo um movimento que vem crescendo, sobretudo em São Paulo, que retoma a ligação do teatro com todas as artes e com a sociedade, principalmente com a excluída, mais criativa do ponto de vista cultural.

Há uma grande luta de um quarto de século da qual Gilberto Gil entre outros artistas da música, do teatro, do cinema, das artes plásticas, participaram. Um show memorável de grandes artistas, no fim de l980 no Ibirapuera, fez com que Silvio Santos voltasse atrás no seu desejo inicial de comprar o prédio do Oficina de seu proprietário à época.

Hoje Gil é nosso maravilhoso Ministro da Cultura. Poucas vezes na história mundial um país teve o privilégio de ter um artista de vida-obra como a deste artista no poder. E pouca vezes se viu um Ministério da Cultura com uma equipe de tal qualidade a agir dentro de uma concepção de cultura-poder com tanto empenho. Óbvio que o "contingenciamento", essa palavra da nova língua da dependência política do Brasil ao pagamento de juros à Engrenagem, tem atrapalhado tudo.

Desde o início da gestão Gilberto Gil o Teatro Oficina enviou ao Iphan um pedido de Tombamento Federal do Teatro Oficina como Manifesto Arquitetônico Urbanístico de Lina Bardi, incluindo a área de entorno qualificada para realizar o Teatro de Estádio. Atualmente ocupa a direção do Iphan o maravilhoso antropólogo Antonio Augusto Arantes que tem tido toda a compreensão da necessidade e da beleza deste
Tombamento, conseqüência de sua sabedoria como cientista-artista e da competência de sua equipe.

Para acontecimentos do porte de um Teatro de Estádio há necessidade de uma luta trans-humana para enfrentar as estruturas burocráticas, financeiras e a própria compreensão do público pela sociedade pois, desde a Grécia antiga, não existe esse poder futebolístico no teatro.

Gilberto Gil tem apoiado muito o Teatro Oficina em toda sua história de 44 anos.

Já lhe pedi por email e pessoalmente na sabatina da Folha de São Paulo que falasse com Sílvio Santos para que tivéssemos um novo encontro, inclusive contando com sua presença e atuação.

As obras do Shopping e deste "Teatro de Estádio" com o qual não estou de acordo tanto na sua forma arquitetônica-urbanística quanto no destino de sua gestão deverão, ao que sabemos, começar em agosto.

O assunto é de extrema urgência.

O Grupo Financeiro Sílvio Santos, evitando contato conosco deve iniciar as obras e submeter o Teatro Oficina a uma possível paralisação se não forem realizadas obras de isolamento acústico para que possamos prosseguir com "Os Sertões" que entra na fase da criação de sua última parte e apresentação das quatro peças da epopéia já realizada.

Mas, pior que isso, é ver a oportunidade de São Paulo dar ao mundo esse Estádio Tropicalista desta cultura brazyleira em que o mundo deposita tanta fé e ter em seu lugar um clone inexpressivo.

Pergunto para a mídia, para o público, para o presidente Lula, para Sílvio Santos, para Pelé, para Fernanda Montenegro, para todos protagonistas e coros brasileiros, na urgência da situação tal como ela se apresenta:

São possíveis ações e manifestações práticas para:

- a aprovação do processo de Tombamento que corre no Iphan desde 2003 e
- a intervenção diplomática de Gil juntamente com os protagonistas mencionados e outros, junto a Sílvio Santos para que aconteça a construção de um real Teatro de Estádio e não de um Shopping cercando um teatro, como a cidade e o mundo já tem vários?

A entrada firme, pública, da Sociedade Brasileira, do Presidente da República, do Ministério da Cultura e do Ministro Gil agora, em cena, é necessária.

Tocou o terceiro sinal, o Ministro Gilberto Gil e os que representam a cultura brazyleira em evolução podem entrar em cena explícita agora nesta questão?

Lina Bardi era grande amiga e admiradora de Gil e vice versa. E essa amizade no caso de pessoas deste porte nasceu do amor pela vida, pelo Brasil e pela beleza.

A situação é esta, cabe à nossa liberdade a ação de tentar transformá-la.

Um dia é este dia.

Presidente Lula, Gilberto Gil, Pelé, Silvio Santos, Fernanda Montenegro, entrem na cena pública com o público brasileiro para esta conquista da grandeza cultural do Teatro Brasileiro no mundo.

José Celso Martinez Corrêa

São Pã. 21 de junho de 2005

Quem estiver disposto a jogar energia nesta ação, assine em baixo, antes da palavra merda, que deve star escrita em letras de forma no final d as assinaturas porque no teatro quando a falamos, calamos a boca e entramos na ação da peça.

M E R D A

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