XI Encontro de Dirigentes Culturais – parte 2: A posição do Estado

São esses os focos do Estado quando perguntamos sobre sua agenda cultural. Os dados revelam os interesses do governo, como o investimento no acesso aos filmes e a soma de 74% do orçamento para a área de música, incluindo aí conservatórios, sinfônicas, festivais e Projeto Guri.
Ainda que aparente uma busca por democratizar o acesso ao bem cultural e uma preocupação com a qualidade do ensino da arte em processos educativos, outros aspectos nos auxiliam a desvendar qual ser de fato a vontade política do Estado.
Falou-se muito sobre a importância de procedimentos de inclusão do jovem, de garantir-lhes o acesso a bens culturais. No entanto, os ingressos de cinema, por exemplo, visam apenas os municípios cujo mercado seja de interesse dos parceiros: as próprias produtoras e distribuidoras.
Desta maneira, cidades menores acabarão aleijadas do benefício por sua tímida capacidade em transformar estudantes em potenciais mecanismos de divulgação. Ora, quanto menor o público disponível menor a necessidade de investimento por parte das distribuidoras, uma vez que o lucro se constrói proporcionalmente.
Sobre o crescimento de cidades participantes na Virada e Circuito Culturais não ser extensivo à totalidade, argumentara o Secretário João Sayad que faltariam artistas e públicos para compor os eventos, optando então por grandes centros, apenas.
São incalculáveis os artistas que se frustram insistentemente pela ausência mínima de um local para se apresentarem. A afirmação se confunde aqui entre o desconhecimento alienável dos fatos e a avaliação qualitativa das manifestações, algo incabível ao Governo, já que a Virada, por exemplo, trata-se de uma festa comunitária, priorizando a “retomada da cidade e o convívio urbano no espaço público”, segundo o Secretário.
Sobre a importância de se criar um corpo estável de dança clássica, diz ele que “existem no Estado mais academias de dança do que de ginástica. Este é, então, o momento para isso”.
Ao fim, parece claro o desenhar de uma política cultural que priorize as associações com indústrias culturais e a inclusão aos modismos vigentes, posicionada por certo tom de distinção entre alta/baixa cultura, enquanto somam-se esforços por definir processos educativos, estabelecendo as metodologias para o que se entende por bons resultados.
Ainda que existam pessoas incríveis envolvidas, projetos importantes como o Guri, devemos nos atentar as parcerias efetivadas, ao apreço pelos instrumentos de elitização da Cultura, à subestimação dos pequenos processos. Por serem distantes e utópicos os objetivos, é fácil nos apegarmos a atalhos. E uma vez erguidos edifícios, formalizadas as instituições, determinados os participantes, dificilmente conseguiremos inverter os resultados.
Não é curioso como todas as propostas vinculam-se diretamente a maior quantidade de habitantes para a escolha dos municípios agraciados?
0 Comments:
Postar um comentário
<< Home